“Curitiba e suas Geo-grafias: das miragens de quem te vê às realidades de quem te vive!”

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Texto de Apresentação da VIII Semana Acadêmica

Dentro do contexto atual em que as cidades estão inseridas, não é incomum nos depararmos com notícias e propagandas que exaltam as potencialidades dos meios urbanos. Gestores públicos e veículos midiáticos dos mais variados procuram exacerbar os pontos considerados positivos das cidades, ao mesmo tempo em que o cotidiano vivido dentro deste território se apresenta distinto do propagado. Sendo assim, Curitiba não é uma exceção neste sentido, pois dentro de sua vivência, a cidade apresenta diversas características e contradições que não são comumente veiculadas pelos agentes colocados acima. Entretanto, apesar de uma realidade turva, o forte “city marketing” empregado à cidade apresenta-se como um dos mais impactantes e eficazes do Brasil, rendendo-lhe títulos como: “Capital ecológica”, “Cidade Modelo” e “O sucesso da cidade mercado”.
Deste modo, a propaganda apresenta-se de forma tão eficiente na cidade, que não somente turistas, ou pessoas que acompanham a cidade de longe enxergam tais miragens, mas até mesmo parte de seus habitantes. Todavia, a realidade discursada por pessoas menos entusiastas, que utilizam diversos serviços oferecidos pelo poder público da cidade são diferentes. Problemas como: transportes públicos com níveis de saturação altos, violência, lixos a céu aberto e segregação espacial, pintam outro cenário da cidade.
A temática levantada na VIII Semana Acadêmica de Geografia busca questionar a razão de tais contradições. Trazendo à tona o pensamento de Milton Santos, quais colunas podem ser preenchidas entre a fábula e a perversidade da cidade, para que enxerguemos suas diversas possibilidades. Ao longo do período proposto, buscaremos, através de diversas atividades, promover um debate entre estes discursos extasiados (miragens), e os sujeitos ocultados (realidades). Em outras palavras, apresentar este território multifacetado, ou seja, as outras “Curitibas” que não aparecem no imaginário da publicidade.
Vale ressaltar que as contradições encontradas aqui não são particulares desta porção do espaço, mas que podem ser encontradas em várias cidades contemporâneas. Desta forma, não buscamos realizar uma semana acadêmica transformada em estudo de caso, ou mesmo encontrar causas e soluções a partir da análise exclusiva do território curitibano. Compreendendo a necessidade de uma abordagem multiescalar, a semana busca estabelecer uma conexão entre o global e o local, ao mesmo tempo em que visa atingir as particularidades espaço-temporais da cidade. Ou seja, observar e dar voz a outros agentes que criam e recriam possibilidades na cidade, e que fazem emergir tencionamentos políticos advindos da relação de verticalidades e horizontalidades, que no caso das primeiras, muitas vezes se colocam descoladas da cultura e do viver da sua população.
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